Por que eu decidi contar a minha história
Durante muito tempo, achei que a minha história era só minha. Que falar sobre o que eu vivi seria abrir uma ferida que ninguém precisava ver. Hoje eu sei que o silêncio protege quem agride, nunca quem sobrevive.
Eu saí de casa aos 17 anos. Sou filha de uma trabalhadora doméstica e de um vigilante, e ninguém na minha família tinha um diploma universitário. Ganhei uma bolsa para um curso técnico de TI, entrei na faculdade, me formei em Análise de Sistemas e fiz pós-graduação. Construí uma carreira. E, mesmo assim, não estive imune: fui vítima de uma tentativa de feminicídio cometida pelo meu próprio companheiro.
Conto isso porque a violência contra a mulher não escolhe escolaridade, profissão ou conta bancária. E porque, se eu consegui me levantar, outras mulheres também conseguem, principalmente quando não estão sozinhas.
Nesta coluna, vou dividir o que me ajudou a dar a volta por cima: os primeiros passos depois do trauma, a rede de apoio, a maternidade solo com o Bernardo e o Benício, o esporte, o trabalho e a coragem de recomeçar. Sem fórmulas prontas, com verdade.
Se você se reconhecer em alguma dessas linhas, saiba: existe vida depois da violência. E ela pode ser bonita.
Com carinho, Jéssica